30/03/2012

Ditadura Militar: Nunca mais!

“Um aspecto importante da história feita pelo povo é o que as pessoas comuns lembram-se dos grandes fatos em contraste com o que seus superiores acham que devem lembrar, ou o que historiadores podem provar que aconteceu e, na medida em que transformam memória em mito, como estão estes formados.”

Foi com esta frase do historiador Eric Hobsbawn que iniciei o meu TCC de História que fiz há alguns anos atrás.

Hoje me lembro de algumas dificuldades que eu e minha amiga passamos para levar essa pesquisa à diante, não por burocracias acadêmicas, mas exatamente pelas dificuldades que a frase acima citou.

É fato ainda existe uma pressão vinda de alguns para que a grande população não saiba o que foram os "Anos de Chumbo", como ficou conhecido o período da Ditadura Militar. Até hoje não se desvendou os milhares de desaparecidos políticos, os casos de torturas cometidos neste período não foram julgados, nenhum torturador ou cumplices foram presos.

Enquanto os Arquivos da Ditadura Militar não forem abertos à pesquisa, estaremos perpetuando a versão dos que estiveram no poder, dos que ainda permanecem no poder através de cargos e influências.

Não é a toa que alguns setores de nossa sociedade insistem em comemorar a data do dia 31 de março como o dia da "Revolução de 64", como se o Golpe de Estado fosse algo à se comemorar!
Estes cidadãos querem empurrar a versão de que a "Revolução" ou "Contra Revolução", como também insistem em chamá-lo, foi na verdade um ato para salvar o Brasil. 

Salvar o Brasil de quê mesmo? Das Reformas de Base que o presidente Jango queria implantar?

Pois, sabemos que quem não queria a implantação destas reformas eram as elites empresariais, latifundiárias e religiosas, já que era em benefício da população tais mudanças na política e na economia do país.

Sabemos hoje também que quem não estava satisfeito com os rumos socialistas que o país estava tomando era a política intervencionista dos EUA que deu total apoio ao Golpe de 64. Este apoio se fez através da propaganda negativa do governo brasileiro para os setores empresariais e o corte de investimentos destinados ao país.

Para "proteger" o Brasil de inimigos, estes que poderiam estar "infiltrados" aqui mesmo, foi criado o órgão chamado de SNI (Sistema Nacional de Informações). Para se ter idéia do quanto esse órgão foi importante no Regime Militar, dois de seus comandantes se tornaram presidentes da República, Médice e Figueiredo, estes que levaram adiante a doutrina de segurança a qualquer custo.

O custo, como todos nós sabemos, eram torturas, mortes, desaparecidos, famílias destruídas...

A tortura foi uma arma de repressão e foi sendo usada nos diversos setores que foram criados no decorrer da Ditadura Militar.

Muitos dos presos e torturados não eram fugitivos, não eram criminosos, pelo contrário, eram estudantes, trabalhadores, artistas que acreditavam e defendiam o seu ponto de vista, o seu ideal.

Entender o que é a tortura é se desprender do que está escrito sobre ela. A tortura, para as pessoas que eu e minha amiga entrevistamos  no decorrer de nosso trabalho, ia muito mais além da dor física, era algo que afetou psicológica e moralmente o torturado. E os torturadores sabiam muito disso muito bem, pois eram treinados para isso.

A nossa presidenta Dilma Roussef, que foi torturada no Regime Militar, teve que amargar saber que o processo que moveu contra o seu torturador foi prescrito, ou seja, ele não será preso por um crime que é considerado de Lesa Humanidade!
A importância da memória que é “uma arma humana para impedir a repetição da barbárie”  foi ressaltado pela nossa presidenta. Se a condenação não vem através da justiça, que venha então pela história.

E será através da memória que lutaremos para que algo tão terrível como foi a Ditadura Militar no Brasil não seja repetida. Através da história descobriremos o que se passou em nosso país e que não querem que saibamos. Será através da Comissão da Verdade que desvendaremos os casos arquivados dos desaparecidos.

Países como o Chile e Argentina já fazem há alguns anos o que o Brasil precisa fazer: julgar, punir e prender os que atentaram contra a vida e a dignidade humana.

A data de 31 de março não é uma data para se comemorar, é uma data para nos lembrar de um tempo que não queremos que se repita, nunca mais!

21/03/2012

Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial

"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra". - Bob Marley

Em 1960, no dia 21 de março, em Joanesburgo, na África do Sul, milhares de pessoas protestavam pelo seu direito de não mais usar o cartão de passe, onde identificava aonde teriam permissão de ir. O saldo foi de 69 mortos e 186 feridos pelos policiais do Apartheid e ficou conhecido no mundo como o Massacre de Shaperville.

A ONU, depois desse episódio trágico, instituiu essa data como sendo o Dia Internaciona pela a Eliminação da Discriminação Racial.

Que esta data seja uma força a mais para que continuemos a luta para a mudança de posturas, de pensamentos sobre o que é o racismo, sobre como combatê-lo e como poderemos construir uma sociedade livres de preconceitos.

10/03/2012

Marcha de Mulheres em São Paulo

O dia 08 de março foi marcado por uma grande manifestação feminista em São Paulo.

A concentração aconteceu na Catedral da Sé, onde se reuniram diversas organizações partidárias, sindicalistas, movimentos e simpatizantes das lutas em prol da mulher.

Todas munidas de suas bandeiras, faixas, apitos, adereços, todas foram mostrar que a mulher conquistou muitas vitórias, mas ainda necessita dar um basta aos impasses que a justiça e a sociedade ainda impõe a vida de muitas mulheres.
De São José dos Campos, houve a manifestação das mulheres do Centro Dandara de Promotoras Legais, líderes sindicais, ex-moradoras do Pinheirinho, Conceição Souza e Patrícia Fornitani, ambas da Secretaria Municipal de Combate ao Racismo e membros do Coletivo Garantia de Luta do PT.

Juntamente com elas, como em todas as manifestações que abrangem a luta contra a violência doméstica, foram as "Mulheres", que são as bonecas de madeira que simbolizam as várias mulheres que foram mortas vítimas dessa mesma violência.

                                                                             



Após o encontro de todos os movimentos, seguiu-se a Marcha das Mulheres pelas ruas de São Paulo. 

Com coros e palavras de ordem, protestaram contra a truculência policial na desocupação do Pinheirinho, onde há relatos de abusos e estupros contra as mulheres, por policiais!

O governador Alckmin e o prefeito Kassab também foram temas dos coros, já que não tomam iniciativas de construção de creches.




Pois é a falta de creches que faz com que milhares de mulheres sejam impedidas de trabalharem fora, ou ocasionam um gasto extra no orçamento, já que muitas trabalhadoras pagam alguém para que olhem os seu filhos e os levem até a escola enquanto vão à luta para conseguirem o sustento de seus lares.

É esta falta de empatia, de consciencia destes políticos que cada vez mais tem incentivado a manifestações como as que as mulheres fizeram nesse emblemático 8 de março.




A falta de Delegacias da Mulher abertas 24h, tem ocosionado muitos transtornos às mulheres vítimas de violência. 

Sabemos que não tem hora para que a violência aconteça, então porque é tão difícil que a justiça entenda essa necessidade?

A equiparação de salários foi outro tema bastante divulgado durante os protestos. Ainda sabemos que o salário de uma mulher é bem menor do que de um homem.


Dezenas de militantes do Movimento Sem Terra caminharam levando mudas de plantas enquanto protestavam contra a demora para uma aprovação da Reforma Agrária.

A marcha finalizou-se na Praça da República onde se reforçou para que todas continuassem a lutar pelos seus direitos e aumento de participação das mulheres tanto no mercado de trabalho como nas lideranças e no parlamento.

Abaixo seguem as mais fotos do movimento.

Patrícia Fornitani, Secretaria de Combate ao Racismo
e do Coletivo Garantia de Luta do PT









Movimento LGBTT

Mulheres do MST

"Nós, PUTAS, insistimos, os políticos não são
são nossos filhos!"

Mulheres do MST




07/03/2012

Passeata une mulheres de SJCampos contra a violência e abusos de autoridade contra a mulher

Passeata na Av. Anchieta, em São José dos Campos
Ontem, dia 06 de março, houve uma grande passeata organizada pelo grupo de mulheres da cidade de São José dos Campos, com o objetivo não só de relembrar o 8 de março.

Várias lideranças partidárias, militantes e simpatizantes das causas feministas estiveram presentes nesta manifestação, entre elas, a vereadora Amélia Naomi, o presidente municipal do PSTU, Antonio Donizete Ferreira, Rosa Miranda do diretório municipal do PT e do Coletivo Garantia de Luta de SJC.

Passeata na Av. Anchieta, em São José dos Campos
O protesto se iniciou nas ruas da cidade com o término na entrada da Delegacia da Mulher, onde houve panfletagem e protestos.

A falta de sensibilidade da juiza Marcia Loureiro, que ao invés de defender os interesses sociais das mulheres, principalmente no caso do Pinheirinho, escolheu defender os interesses dos capitalistas, dos grandes empresários, foi um dos temas do protesto.

Ela é somente uma entre milhares de mulheres que ocupam cargos de liderança, mas que ao chegarem aos altos postos, deixam de lutar pela
Concentração em frente da Delegacia da Mulher de SJ
causa, não só feminista, mas social em geral.

São diversos os relatos de abusos sexuais, e de violência contra as mulheres no dia da descocupação do Pinheirinho. As denúncias já foram apresentadas no Ministério Público do Estado de São Paulo e encaminhadas para o Senado para que se iniciem as investigações. Mas como tod@s nós sabemos é que há grande interesse para que estas denúncias não sejam levada à frente, e é exatamente por isso que não podemos ficar caladas esperando que algum milagre aconteça.
Concentração em frente da Delegacia da Mulher de SJC

Estas mulheres merecem respeito, pois são trabalhadoras, que em sua maioria sustentam o seu lar e que neste momento estão sem moradia. Elas, juntamente com os seus companheiros,  também estão sem documentos e empregos.

Elas estão agora na espera de uma casa pelo Programa Habitacional municipal, juntamente com outras mais 26 mil pessoas, que estão na fila de espera.


Concentração em frente da Delegacia da Mulher em SJC
Protesto em frente da Delegacia da Mulher de SJC
Essa é a maior prova que essa prefeitura dá mais prioridade à grande especulação imobiliária do que o bem estar dos seus munícipes!

Uma ajuda de custo de R$ 500,00 para alugar uma casa em São José dos Campos, valor oferecido aos ex-moradores do Pinheirinho, é uma completa piada! Sem falar nas inúmeras burocracias exigidas pelas imobiliárias que não se sensibilizam com as dificuldades da população mais carente.

Outro ponto da manifestação é a falta de creches na cidade que dificultam ainda mais o trabalho das mulheres. As creches municipais não tem vagas suficientes para atender todas as crianças e as grandes empresas não tem isso como meta empresarial.

Protesto em frente da Delegacia da Mulher em SJC
Ora, se grandes empresas, inclusive multinacionais conseguem isenção fiscal da prefeitura por anos, algumas por décadas, por que não há uma exigência social para que eles possam cumprir?

A falta de um lugar seguro para deixar os seus filhos enquanto estiverem trabalhando para levar o sustento para os seus lares é o mínimo que eles deveriam fazer. 
Ana Carolina da Costa, da Secretaria Municipal da
Juventude do PT e do Coletivo Garantia de Luta de SJC.


Mas é esse o retrato da sociedade machista que ainda vivemos.

Como tod@s nós já sabemos o dia 8 de março não é uma data para se comemorar, é uma data
para continuar lutando, para relembrar a sociedade que apesar de termos conquistado muitas coisas, de termos ganhado muitas lutas, há muita luta ainda pela frente.

A socidade tem grande resistência à causa feminista que hoje em dia tem outros objetivos do que de outrora.

Conquistamos o voto, conquistamos cargos empresariais, conquistamos cargos de liderança!

Mas a sociedade quer que essas mulheres deixem de lutar pela causa, para defender os interesses da grande corporação financeira, dos patrões.

Não podemos nos calar!
Ninguém pode nos impedir de protestar!
Basta de violência de qualquer tipo contra a mulher!



Rosa Miranda, membro da Executiva do PT de SJC e
do Coletivo Garantia de Luta
Patrícia Fornitani, da Secretaria Municipal de Combate
ao Racismo e do Coletivo Garantia de Luta.
Bonecas que representam as mulheres mortas vítimas
da violência doméstica.

Panfletagem em frente da Delegacia da Mulher de SJC
Panelaço em frente da Delegacia da Mulher de SJC

06/03/2012

Encontro Feminista comemorará o 5º ano da Lei Maria da Penha


Convidamos à tod@s que possam comparecer a este encontro que será realizado na cidade de São José dos Campos, na sede do Partido dos Trabalhadores, no próximo dia 10.

Um espaço onde tod@s poderão ver as exposições de fotos do Movimento de Mulheres, avaliar os cinco anos da "Lei Maria da Penha" e ter a oportunidade de ver alguns filmes importantes para essa luta.

O 8 de março é mais que um dia pra se comemorar o "Dia da Mulher", é um dia para repensar o papel da mulher na sociedade, que a cada dia ganha mais força.

Saudações à tod@s!