“Um aspecto
importante da história feita pelo povo é o que as pessoas comuns lembram-se dos
grandes fatos em contraste com o que seus superiores acham que devem lembrar,
ou o que historiadores podem provar que aconteceu e, na medida em que
transformam memória em mito, como estão estes formados.”
Foi com esta frase do historiador Eric Hobsbawn que iniciei o meu TCC de História que fiz há alguns anos atrás.
Hoje me lembro de algumas dificuldades que eu e minha amiga passamos para levar essa pesquisa à diante, não por burocracias acadêmicas, mas exatamente pelas dificuldades que a frase acima citou.
É fato ainda existe uma pressão vinda de alguns para que a grande população não saiba o que foram os "Anos de Chumbo", como ficou conhecido o período da Ditadura Militar. Até hoje não se desvendou os milhares de desaparecidos políticos, os casos de torturas cometidos neste período não foram julgados, nenhum torturador ou cumplices foram presos.
Enquanto os Arquivos da Ditadura Militar não forem abertos à pesquisa, estaremos perpetuando a versão dos que estiveram no poder, dos que ainda permanecem no poder através de cargos e influências.
Não é a toa que alguns setores de nossa sociedade insistem em comemorar a data do dia 31 de março como o dia da "Revolução de 64", como se o Golpe de Estado fosse algo à se comemorar!
Estes cidadãos querem empurrar a versão de que a "Revolução" ou "Contra Revolução", como também insistem em chamá-lo, foi na verdade um ato para salvar o Brasil.
Salvar o Brasil de quê mesmo? Das Reformas de Base que o presidente Jango queria implantar?
Pois, sabemos que quem não queria a implantação destas reformas eram as elites empresariais, latifundiárias e religiosas, já que era em benefício da população tais mudanças na política e na economia do país.
Sabemos hoje também que quem não estava satisfeito com os rumos socialistas que o país estava tomando era a política intervencionista dos EUA que deu total apoio ao Golpe de 64. Este apoio se fez através da propaganda negativa do governo brasileiro para os setores empresariais e o corte de investimentos destinados ao país.
Para "proteger" o Brasil de inimigos, estes que poderiam estar "infiltrados" aqui mesmo, foi criado o órgão chamado de SNI (Sistema Nacional de Informações). Para se ter idéia do quanto esse órgão foi importante no Regime Militar, dois de seus comandantes se tornaram presidentes da República, Médice e Figueiredo, estes que levaram adiante a doutrina de segurança a qualquer custo.
O custo, como todos nós sabemos, eram torturas, mortes, desaparecidos, famílias destruídas...
A tortura foi uma arma de repressão e foi sendo usada nos diversos setores que foram criados no decorrer da Ditadura Militar.
Muitos dos presos e torturados não eram fugitivos, não eram criminosos, pelo contrário, eram estudantes, trabalhadores, artistas que acreditavam e defendiam o seu ponto de vista, o seu ideal.
Entender o que é a tortura é se desprender do que está escrito sobre ela. A tortura, para as pessoas que eu e minha amiga entrevistamos no decorrer de nosso trabalho, ia muito mais além da dor física, era algo que afetou psicológica e moralmente o torturado. E os torturadores sabiam muito disso muito bem, pois eram treinados para isso.
A nossa presidenta Dilma Roussef, que foi torturada no Regime Militar, teve que amargar saber que o processo que moveu contra o seu torturador foi prescrito, ou seja, ele não será preso por um crime que é considerado de Lesa Humanidade!
A importância da memória que é “uma arma humana para impedir a repetição da barbárie” foi ressaltado pela nossa presidenta. Se a condenação não vem através da justiça, que venha então pela história.
E será através da memória que lutaremos para que algo tão terrível como foi a Ditadura Militar no Brasil não seja repetida. Através da história descobriremos o que se passou em nosso país e que não querem que saibamos. Será através da Comissão da Verdade que desvendaremos os casos arquivados dos desaparecidos.
Países como o Chile e Argentina já fazem há alguns anos o que o Brasil precisa fazer: julgar, punir e prender os que atentaram contra a vida e a dignidade humana.
Países como o Chile e Argentina já fazem há alguns anos o que o Brasil precisa fazer: julgar, punir e prender os que atentaram contra a vida e a dignidade humana.
A data de 31 de março não é uma data para se comemorar, é uma data para nos lembrar de um tempo que não queremos que se repita, nunca mais!
















































